E-commerce

Quanto custa e quanto tempo leva para colocar um e-commerce no ar

Faixas reais de investimento e de prazo para uma loja online no Brasil: plataforma, implementação, integrações e acompanhamento — e onde a maioria dos projetos gasta mal.

February 24, 20269 min read

Toda proposta de e-commerce que apresenta um número redondo sem perguntar nada sobre a sua operação está chutando. Não porque o fornecedor seja desonesto, mas porque o custo de uma loja online não está na loja — está no que ela precisa conversar.

Este texto quebra o investimento nas partes que realmente existem e dá faixas concretas, para você conseguir avaliar qualquer proposta que receber, inclusive a nossa.

As faixas, primeiro

Antes da explicação, os números. Estas são as faixas que praticamos para o porte que atendemos: empresa que já vende, sem time de desenvolvimento interno, catálogo de centenas a poucos milhares de SKUs.

LinhaFaixaQuando
Implementação (setup)R$ 25.000 – 45.000R$ 25k é a entrada: vitrine B2C, catálogo direto, medição configurada. Sobe conforme entram recursos como fidelidade, B2B ou assinatura
Design e branding (opcional)R$ 5.000 – 50.000, média em torno de R$ 15.000R$ 0 se você aceita o kit visual padrão. A média cobre identidade completa e páginas especiais. A ponta alta é Figma próprio com muitos templates
IntegraçõesR$ 0 até dezenas de milharesZero se a loja não conversa com nada. Cada sistema é um mini-projeto. ERP legado sem API documentada é a linha que mais estoura
Acompanhamento mensalR$ 3.000 – 5.500/mêsSuporte, continuidade, monitoramento e horas de evolução. Contrato de 12 meses
Projeto típico completo~R$ 40.000Setup de entrada + design médio, sem ERP pesado

Um recado sobre a última linha: R$ 40 mil é um exemplo, não um pacote. Serve como âncora para você saber se está conversando com o fornecedor certo. Proposta de R$ 8 mil para o mesmo escopo está omitindo alguma dessas linhas — quase sempre integração ou acompanhamento.

Agora, o que cada linha significa.

As quatro linhas de custo

1. Plataforma (recorrente, previsível)

É a parte mais fácil de estimar e a menos determinante.

PlataformaModelo de cobrança
ShopifyMensalidade fixa por plano, mais taxa por transação fora do gateway próprio
VTEXPercentual sobre faturamento (take rate), com piso mensal
Magento (open source)Sem licença; você paga infraestrutura e manutenção
WooCommerceSem licença; você paga hospedagem, plugins e manutenção

O engano comum é escolher pelo custo de licença. Magento e WooCommerce parecem gratuitos e não são: o que você economiza em licença, gasta em infraestrutura e em quem cuida. Os critérios que realmente decidem estão em como escolher entre Shopify, VTEX, Magento e WooCommerce.

2. Implementação (uma vez, variável)

Aqui está a maior parte da variação entre propostas. O que move o número dentro da faixa de R$ 25k a 45k:

  • Complexidade do catálogo. Mil SKUs simples custam menos que duzentos com variação, kit e regra de preço.
  • Quantidade de recursos. Fidelidade, B2B, assinatura e marketplace são unidades de escopo, cada uma com implementação própria na plataforma escolhida.
  • Nível de personalização da vitrine. Kit ajustado é uma coisa; design próprio é outra — e é a linha de design, não a de implementação.
  • Migração. Trazer catálogo, clientes, pedidos e URLs de uma loja existente custa, e custa mais do que as pessoas esperam.

3. Integrações (onde o orçamento estoura)

É a linha mais subestimada e a que deve aparecer separada na proposta. Uma loja que não conversa com o ERP vira digitação manual de pedido em três semanas.

O conjunto típico:

  • ERP — produto, preço, estoque, pedido e nota;
  • Frete — cotação e rastreio, às vezes mais de uma transportadora;
  • Pagamento — gateway, antifraude, parcelamento;
  • Nota fiscal — emissão automática pós-pagamento;
  • Marketing — GA4, tags de mídia, e-mail e WhatsApp.

Nem todas precisam existir no dia um. Mas todas precisam estar no plano, porque o custo de encaixar integração depois de a loja estar rodando é maior. O que muda o preço aqui é o ERP, não a loja — detalhamos isso em integrar a loja ao ERP.

4. Acompanhamento (recorrente, quase sempre esquecido)

Depois do lançamento, a loja não fica parada. Campanha sazonal, mudança de regra de frete, produto novo com estrutura diferente, atualização de plataforma, correção de bug que só aparece em volume.

Os R$ 3.000 a 5.500 por mês compram tempo de gente, não hosting. É a comparação errada mais comum: alguém coloca essa linha ao lado de "servidor por R$ 500" e conclui que está caro — só que uma coisa é máquina e a outra é quem responde quando o pedido não sobe para o ERP na sexta à noite.

Um projeto orçado sem essa linha vai gerar, três meses depois, uma conversa desagradável sobre "escopo adicional" — ou uma loja que congela no estado em que nasceu.

E o prazo?

Prazo depende menos do fornecedor e mais de duas coisas: quantas integrações existem e quão pronto está o seu conteúdo. As faixas que vemos:

EscopoPrazo típico
Loja nova, catálogo pronto, sem integração4 a 6 semanas
Loja com ERP, nota fiscal e frete integrados8 a 12 semanas
Migração de plataforma com catálogo grande e histórico3 a 5 meses

Os atrasos quase nunca vêm do desenvolvimento. Vêm de:

  • catálogo sem foto ou sem descrição;
  • acesso ao ERP que demora para ser liberado;
  • decisão de frete que ninguém quer tomar;
  • homologação de nota fiscal.

A parte que depende de código é a mais previsível do projeto. A que depende de dado e decisão é a que escorrega. Se você quer encurtar prazo, o caminho não é pressionar o fornecedor — é ter foto, descrição e acesso ao ERP prontos antes de o projeto começar.

Onde os projetos gastam mal

Design antes de operação. Investir pesado em vitrine única antes de resolver estoque e frete é o erro mais caro e mais comum.

Integração feita por metade. Um conector que traz produto mas não devolve pedido cria trabalho manual permanente.

Plataforma acima do porte. Contratar solução de enterprise para um catálogo de trezentos itens paga complexidade sem receber nada em troca.

Nenhuma medição. Loja sem GA4 configurado corretamente é loja que não sabe onde perde venda — e qualquer decisão depois disso é palpite.

Como avaliar uma proposta

Peça que as quatro linhas apareçam separadas. Se implementação, integração e acompanhamento vierem em um número só, você não consegue comparar, negociar nem entender o que acontece quando o escopo muda.

E pergunte o que acontece no mês seguinte ao go-live. A resposta a essa pergunta diz mais sobre o fornecedor do que o valor total.

Perguntas frequentes

Quanto custa fazer um e-commerce no Brasil?

Para uma empresa que já vende e não tem time de desenvolvimento, a implementação fica entre R$ 25.000 e R$ 45.000. Somando design e branding, um projeto completo típico gira em torno de R$ 40.000, sem contar integrações complexas de ERP.

Quanto custa manter uma loja online por mês?

Duas linhas somam: a plataforma (mensalidade do Shopify, take rate da VTEX ou infraestrutura no caso de Magento e WooCommerce) e o acompanhamento técnico, que fica entre R$ 3.000 e R$ 5.500 por mês para o porte médio.

Quanto tempo leva para colocar a loja no ar?

De 4 a 6 semanas quando o catálogo está pronto e não há integração. De 8 a 12 semanas com ERP, nota fiscal e frete. De 3 a 5 meses em migração com catálogo grande e histórico de pedidos.

Por que uma proposta custa R$ 8 mil e outra R$ 40 mil?

Quase sempre porque uma delas não inclui integração, migração de dados ou acompanhamento pós-lançamento. Compare linha por linha; se o orçamento vem em um número único, não há como comparar.

Dá para começar sem integrar o ERP?

Dá, e às vezes é o caminho certo para validar a operação. Mas coloque a integração no plano desde o início: encaixar depois custa mais do que fazer junto, e o trabalho manual no meio disso tem custo próprio.


Quer um número para o seu caso? Conte quantos SKUs você tem, quais sistemas usa e onde vende hoje. A Castle responde com um caminho concreto, não com um orçamento genérico. Fale com a gente.

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