E-commerce

Migrar de plataforma sem perder SEO nem histórico de pedidos

A queda de tráfego depois de uma migração quase sempre vem de URL sem redirecionamento. O que migrar, o que descartar e a ordem das quatro semanas críticas.

March 24, 20269 min read

A história é sempre parecida. A loja nova entra no ar, o visual está melhor, o time comemora — e três semanas depois o tráfego orgânico caiu pela metade. Ninguém entende, porque "o site está mais rápido e mais bonito".

O motivo raramente é misterioso. As URLs mudaram e ninguém mapeou os redirecionamentos. Cada página de produto e de categoria que tinha posição no Google virou erro 404, e o buscador fez o que faria com qualquer página que desaparece: parou de mandar gente.

Migração é um projeto de preservação, não de criação. O visual é a parte fácil.

O que migrar de fato

Migrar não é copiar tudo. É decidir, item por item, o que vem, o que é recriado e o que fica no sistema antigo.

AtivoDecisão comumPor quê
URLs indexadasMigrar com redirecionamento 301, sem exceçãoÉ a única linha que, se falhar, custa receita imediata
CatálogoMigrar, e aproveitar para limparMigração é a melhor oportunidade de matar SKU morto e corrigir atributo bagunçado
Cadastro de clienteMigrar, com senha redefinidaHash de senha raramente é portável entre plataformas; avise o cliente antes
Histórico de pedidosMigrar o resumo, manter o detalhe no ERPO cliente quer ver o que comprou; o fisco e a contabilidade vivem no ERP
Avaliações de produtoMigrar sempre que houver caminhoAvaliação é prova social acumulada — recriar é impossível
Cupons e regras antigasRecriar apenas o que está ativoMigrar regra promocional velha traz bug para dentro da loja nova
Conteúdo do blogMigrar com a mesma URL, se possívelCostuma ser a fonte de tráfego orgânico mais estável da loja

A tentação é migrar tudo para "não perder nada". O resultado é levar a bagunça de anos para uma plataforma nova e gastar meses limpando depois.

Os redirecionamentos, em detalhe

Essa é a parte que decide o resultado, então vale ser específico.

Faça o inventário antes de qualquer coisa. Exporte a lista completa de URLs que recebem tráfego ou têm posição na busca. As fontes: Search Console, sitemap atual, analytics e um rastreamento do site inteiro. Sem essa lista, você está adivinhando.

Mapeie um para um, não para a home. Redirecionar tudo o que não encaixa para a página inicial é o atalho mais comum e o mais destrutivo. Produto descontinuado vai para a categoria dele; categoria extinta vai para a mais próxima.

Use 301, não 302. O 301 é permanente e transfere a autoridade da página antiga; o 302 é temporário e não transfere. Essa diferença de um dígito é responsável por muitas quedas inexplicadas.

Teste antes do go-live e no dia seguinte. A lista de redirecionamentos precisa ser verificada em massa, e não por amostragem manual. Depois do lançamento, o relatório de 404 é a leitura diária da primeira semana.

Não encadeie. URL antiga que aponta para uma intermediária que aponta para a final desperdiça autoridade e velocidade. Aponte direto para o destino final.

O cronograma que funciona

A ordem importa mais que a duração. Um roteiro de quatro semanas em torno do go-live:

Duas semanas antes — inventário de URLs fechado, catálogo exportado e revisado, mapa de redirecionamento montado, integrações do ERP testadas em ambiente de homologação com dado real. Ver integrar a loja ao ERP.

Semana do go-live — congelamento de mudanças no catálogo antigo, carga final, verificação em massa dos redirecionamentos, GA4 e tags validados na loja nova antes de virar o DNS.

Dia do go-live — virada em horário de baixo movimento, sitemap novo enviado ao Search Console, teste de compra de ponta a ponta com pagamento real e pedido chegando no ERP.

Primeiras duas semanas depois — relatório de 404 lido todos os dias, cobertura do Search Console acompanhada, posições das vinte páginas mais importantes monitoradas. É normal oscilar; não é normal cair e não voltar.

O que esperar de queda

Alguma oscilação acontece mesmo em migração bem-feita: o buscador precisa rastrear tudo de novo e reavaliar. Uma variação de tráfego orgânico por duas a quatro semanas é comportamento esperado.

O que não é normal é queda que não se recupera. Se depois de um mês o tráfego segue abaixo, a causa está em uma dessas quatro:

  • redirecionamento faltando ou apontando para o lugar errado;
  • conteúdo de página que encolheu — descrição de produto ou texto de categoria que não veio;
  • página que agora depende de JavaScript para exibir o conteúdo principal;
  • perda de velocidade que passou despercebida porque "parece rápido no meu computador".

O último item é o mais silencioso. Como medir isso está em Core Web Vitals e conversão.

Quando não migrar

Migração custa e consome atenção do time. Não vale a pena quando o problema é outro:

Se o incômodo é o visual, a plataforma atual quase sempre aceita um tema novo por uma fração do custo de migrar.

Se o problema é integração quebrada, migrar não conserta — o ERP continua o mesmo, e você vai reconstruir a mesma integração ruim em outro lugar.

Se ninguém sabe dizer qual é o ganho esperado, o projeto vira gasto sem destino. Migração precisa de um motivo em uma frase: custo de plataforma que não se sustenta, recurso que não existe na atual, ou risco técnico que não dá para carregar.

Se o motivo existe, a hora é agora — quanto maior o catálogo e o histórico, mais caro fica depois. Os critérios de escolha da plataforma de destino estão em como escolher entre Shopify, VTEX, Magento e WooCommerce.

Perguntas frequentes

Migrar de plataforma faz perder posição no Google?

Não necessariamente. A perda vem de URL sem redirecionamento 301, conteúdo que encolheu ou velocidade que piorou. Com o mapa de redirecionamento completo e o conteúdo preservado, a posição costuma se restabelecer em duas a quatro semanas.

Quanto tempo leva uma migração de e-commerce?

De 3 a 5 meses para catálogo grande com histórico de pedidos e integrações. Loja pequena com catálogo limpo cabe em 6 a 8 semanas. O que alonga o prazo é limpeza de dado, não desenvolvimento.

Dá para migrar o histórico de pedidos?

Dá para migrar o resumo — data, itens, valores e status — para o cliente ver na conta dele. O detalhe fiscal continua no ERP, que é onde ele precisa estar de todo jeito.

O cliente vai precisar criar a senha de novo?

Na maioria dos casos, sim. As senhas ficam guardadas de forma criptografada e o formato raramente é portável entre plataformas. O cadastro vem junto; o que se pede é uma redefinição de senha, avisada por e-mail antes da virada.

Devo lançar o design novo junto com a migração?

Se puder, separe. Migrar e redesenhar ao mesmo tempo faz com que qualquer queda de conversão fique sem explicação: você não sabe se foi a plataforma, a URL ou o layout. Quando o prazo obriga a juntar, mantenha a estrutura de conteúdo das páginas principais.


Está avaliando trocar de plataforma? A Castle faz o inventário de URLs e o mapa de redirecionamento antes de discutir tema ou layout. Conte de onde você está saindo.

Shall we talk about your store?

Tell us how your operation works today. We reply with a concrete path — not a generic quote.

We reply during business hours

Message on WhatsApp